A necessidade de repensarmos como financiar uma vida longeva

Tiago Dias • March 13, 2025

A extensão de nosso tempo de vida nos desafia a repensar como financiar individualmente o ganho de +25 anos de vida. 

Segundo levantamento realizado pelo Think Tank americano, Milken Institute, Center for the Future of Aging, os três principais desafios da longevidade são: Propósito, Saúde e Financeiro.


Algo parecido empiricamente constatei no Lab60+, movimento que criei e co-lidero desde 2014. Neste anos, realizamos +300 encontros chamados de "Café ComVida, em todo Brasil e em diferentes países, em locais de baixo e alto IDH, em bairros ricos e periféricos. Os "Cafés ComVida" reúne pessoas de todas as idades para discutir e cocriar ideias e projetos que trouxessem respostas para demandas latentes que cada presente sentisse, relacionada a sua longevidade. As discussões e iniciativas apresentadas variam muito dependendo do contexto, com soluções em moda, educação, edifícios, políticas públicas, atividades culturais, enfim, todas as questões da vida que precisam se reinventar para uma população que teve seu tempo de vida ampliado em +25% de anos. Três aspectos invariavelmente permeiam as preocupações e a busca por soluções: (i) a busca por se (re)incluir socialmente, (ii) a inquietude por manter-se saudável; (3) a preocupação financeira, como posso continuar a sustentar minha vida se meu ciclo profissional e fonte de renda continua a se encerrar por volta dos 40 ou 50 anos?


Estes três aspectos parecem desarticulados e existem inúmeros esforços e iniciativas realizadas por especialistas de cada uma das áreas, algumas bem sucedidas, outras mais exploratórias. Porém, quando analisamos as três questões em conjunto, percebemos que têm mais em comum do que a primeira vista pode parecer. A extensão de nosso tempo de vida sem uma revisão de nosso papel social, nosso propósito de vida e atividade profissional, pode gerar inquietudes como as que costumo ouvir nos encontros do Lab60+… 

  • "Tenho certeza que tenho muito a contribuir e trabalhar, mas não encontro trabalho ao dizer minha idade"
  • "Por que a política do RH da minha empresa me incentiva (às vezes me obriga) a me aposentar aos 60, se estou me sentindo pleno e com grande motivação?”
  • "Aos 70, sinto me com disposição para novas descobertas, porém minha família me diz que devo diminuir meu ritmo"
  • "Meu fôlego não é mais o mesmo quando me exercito, porém também minha compreensão sobre meus limites hoje são mais claros do que quando tinha 40"


A inquietação demonstrada de formas diferentes relata um descasamento entre realidade e pressupostos, entre o que esperávamos que seria a maturidade e as diferentes formas que ela pode se apresentar atualmente. O fato de termos "ganhado" anos de vida não pressupõe que tenhamos atualizado nosso paradigma sobre o envelhecer. Ou seja, ampliamos nosso tempo de vida, mas mantivemos nossas percepções congeladas. como consequência nosso prazo de vida profissional se alterou menos do que nossa expectativa de vida. 


Continuamos a associar aos jovens, atributos tipicamente positivos, com força, saúde, criatividade, beleza, etc. Da mesma forma que associamos ao velho ou idoso, atributos opostos, com rugas, doenças, fragilidade, fraqueza. É claro que o processo de envelhecimento nos traz benefícios e virtudes também. E é claro que temos doenças, fraquezas e feiura na juventude como em qualquer momento da vida. Porém, nosso "chip mental", nossa cultura jovem-cêntrica continua a ter uma visão seletiva e dicotômica destas duas fases da vida. É ainda comum fazermos um elogio a alguém ao dizer que ela ou ele aparentam 10 anos mais jovens do que sua idade biológica. Será isso um elogio? Sim, numa cultura jovem-cêntrica ainda é. 


Trecho do capítulo “Capital financeiro: Empreendedorismo e trabalho” escrito por Sergio Serapiao, parte integrante do livro “Longevidade e bem estar: o futuro já é o presente”. 1ed.São Paulo: OMNIFARMA, 2022, v. 1


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